Família Souza

Família Souza
Nosso símbolo de infância

domingo, 22 de agosto de 2010

O Pique - Nick no pasto de Bastão Paiva

Pique - Nick! Como eram bons! Pra não perder o costume, o mês de julho é mais uma vez o ponto de partida.
Era só a turma entrar de férias que tia Silvia já marcava a data para o Pique – Nick. Cada ano ele acontecia num lugar diferente. Os primeiros foram embaixo dos pés de manga da casa de vó Lilia. Aos poucos começamos a desbravar lugares mais longes, como o pasto do vizinho de vó, o jardim de entrada da casa de Belo (que era todo gramado) e a pedreira. E quanto mais afastávamos do nosso ponto de partida, mais emocionante o Pique – Nick ficava e mais crianças iam fazendo parte da aventura.



O último que lembro ter participado foi no pasto de Bastão Paiva. É perto da casa de vó, mas só de ser fora da nossa rota habitual, a expectativa já explodia no peito.
Nessa época, Tia Juninha estava grávida de Flavinha. Visto que hoje ela tem 18 pra 19 anos percebo que tem algum tempinho que não participo das peraltices...
Enfrentamos de tudo pelo caminho de pouco mais de 2 Km. Estrada de chão, caminhão de leite jogando poeira para os ares, um vaqueiro passando pela estrada forçando-nos a subir barranco afora para não sermos esmagados pelos trotes das vacas, cerca de arame farpado toda enferrujada, capim gordura melando a perna e carrapatos. Uma verdadeira aventura!
Mas o Pique - Nick era sempre muito bom. Brincávamos pasto afora, comíamos as guloseimas com suco de pacotinho e voltávamos para casa com a barriga cheia e o espírito leve, contanto nos dedos as próximas férias de julho e repetirmos tudo de novo!

domingo, 13 de dezembro de 2009

De volta pro aconchego


Hoje não vou escrever sobre peraltices da minha infância. Hoje escreverei sobre esse sentimento que tenho que é o mesmo que sentia há tempos. O sentimento é antigo, mas o corpo em que ele hoje habita é bem diferente do corpo de 20 ou 25 anos atrás.
Novembro de 2009, semanas que antecedem o Natal. É o primeiro Natal que vou passar longe dos meus pais e minha família e é o primeiro ano que sinto essa explosão de sentimentos.
Resolvi pegar a caixa onde guardo bolinhas de Natal e comecei a montar minha árvore. Só que dessa vez, o prazer de montar a árvore foi diferente. Era como se eu estivesse preparando o Natal só para mim e pro Fabiano. E era...
Esse ano o Natal será com outra família: a que me adotou como filha e a que tenho muito apreço.
Mas ainda assim é diferente.
A árvore está montada, os enfeites delicadamente nos respectivos lugares... E meu peito explodindo de saudades dos meus.
Os verei somente no penúltimo dia do ano.
Mas é certo que sempre estarei "de volta pro meu aconchego"...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O cometa Halley


Dentre minhas lembranças de criança, tenho uma que nunca mais esquecerei. Foi a visão do Cometa Halley.

Havia certa magia sobre o tal cometa e durante algumas semanas senti a empolgação dos meus pais juntamente com suas especulações a respeito do Halley.

Meu pai, sempre interessado nesses assuntos galácticos, esperava por Nozinho e Zinha para subirmos pro campo de aviação, onde a visão era melhor por causa da escuridão.

Confesso que fiquei um pouco decepcionada com o cometa devido tanta informação que tinha ouvido sobre ele. Pensei que fosse um acontecimento de outro mundo!

Quando chegamos ao Campo de Aviação, lembro que meu pai me colocou no teto do carro e me mostrou um pontinho luminoso no céu.

Eu tinha apenas 5 anos na época, mas parece que foi ontem. E exatos 25 anos depois, lembro-me ainda das palavras do meu pai:

- Está vendo? É o Cometa Halley! Olhe bem pra ele, porque ele passará novamente só daqui a 75 anos! Grave essa imagem pra você nunca mais esquecer!

E eu nunca mais esqueci... Eu senti uma emoção junto a uma responsabilidade tão grande em ver um cometa que provavelmente nunca mais verei.

A não ser que eu chegue aos 80 anos com a mesma memória e emoção que eu tinha aos 5 anos!

Agradeço aos meus pais por me ensinarem a guardar recordações tão boas e marcantes da minha infância.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Já não se fazem férias de julho como antigamente


Contagem regressiva para as férias de julho de 2009.

As primeiras férias de meio de ano em que eu estou casada, mas mesmo assim não abri mão de ir para a terrinha querida.

Tentei aproveitar ao máximo e ainda tive a sorte de ter festa na cidade. Mas mesmo assim não foi a mesma coisa.

Julho era tão bom!

As férias eram tão grandes!

E hoje, passo somente 1 semana em Alvinópolis...

Pra não perder o costume, fui pra casa de vó Lilia todos os dias. E vó está uma comédia! Sempre querendo passear.

Comemos biscoito frito, fizemos festa junina, mas ainda faltava alguma coisa.

Aquela magia da infância havia desaparecido e nem me dei conta disso...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O galope da vaca brava


Em todas as férias, uma diversão que não podia faltar era o piquenique. Tia Silvia e minha mãe preparavam tudo. Minha mãe, os comes e bebes e tia Silvia “botando” lenha na fogueira e levando pipoca.
Onde tinha grama e uma árvore, virava palco do piquenique.
Uma vez, resolvemos ir pro pasto, atrás da casa de vó Lilia, onde chamávamos de brejo. Não era como um brejo, mas o “apelido” veio desde o tempo que realmente era um brejo e ficou.
E pra não ficarmos pertinho da casa de vó, resolvemos ir pra debaixo do pé de paina, que margeava o rio. O lugar era ideal! Fazia um morrinho com grama, árvores e até flores. Cenário perfeito para um piquenique.
Só que no brejo, tinha o curral de tio Francisco, irmão de vô Amir. E nele, suas vacas mais bravas. Enquanto elas estavam longe, não havia problema, mas a partir do momento que alguém começava a falar um pouco mais alto, lá vinha a vaca brava pra estragar a brincadeira.
E fomos nós, alegres e sorridentes fazer a nossa festa.
E eis que num rompante, alguém grita:
- A vaca brava ta vindo!


Foi gente pra tudo que é lado!
Alice carregando Raissa e seu chinelo novo. Tia Silvia “deu no pé” e deixou todo mundo pra trás. E eu corria além que minhas pernas poderiam alcançar.
Passamos debaixo da cerca que dividia o quintal de vó numa velocidade, que pedaços de roupas e fios de cabelo ficaram pendurados no arame.
Depois do susto e assim que recuperamos as energias, fomos contabilizar nosso prejuízo. Além de roupas rasgadas e mechas de cabelos presos no arame, perdemos nossas guloseimas, Raissa perdeu seu chinelo novinho, primeira vez de uso, e ainda por cima levou a maior bronca de tio Ricardo.
Que confusão!
Sei que a partir deste dia, nunca mais fomos pro brejo levar galope de vaca.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A capoeira


A capoeira é um pedaço de mata que existe no pasto, nos fundos da casa de tia Lena.

A primeira vez que fomos até lá, meu pai estava junto levando a tiracolo nosso cachorro de estimação Wolf, um Husky Siberiano, que mais parecia um vira-lata, de tanta porcaria que comia.
Caminhávamos naquele pasto, como se ele fosse a montanha mais alta já conquistada por nós: os netos de vô Amir.
E pra não deixar de perder o costume, claro, um dia teríamos que ir à capoeira sozinhos. Desbravar “horizontes” sem ajuda de um adulto.
E um belo dia, o “quarteto fantástico” (eu, Fabio, Alice e Luisa) fomos explorar mata adentro. Nossas “armas” eram um galho de árvore, um facão enferrujado e claro, lanche para comer.
Dentro da mata ouvíamos de tudo: macacos gritando e fazendo bagunça, pássaros cantarolando pra atrair a parceira, grilos disputando o mais alto “cri-cri” e muitos, mas muitos zumbidos de mosquito.
Tudo ia muito bem, Fabio ia à frente abrindo caminho para nós, meninas e nós, meninas, batendo o maior papo e contando longas histórias.
Eis que num certo momento, o homem da expedição fica estático, imóvel, não mexia nem um fio de cabelo e revela o seu maior medo:

- Tem aranhas aqui.


Quando olhamos à nossa volta, estávamos numa clareira, no meio da mata, cercada de teias de aranhas. E enormes aranhas atravessadas nas teias.
Não tenho medo de aranhas, mas confesso que senti um arrepio de ver tanto aracnídeo junto!
Pronto. O local ficou batizado como Santuário das Aranhas.
E desde esse dia, as nossas aventuras na capoeira passaram a ter uma nova rota, mas sempre na volta pra casa ficávamos espiando de longe o Santuário das Aranhas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O espinho que anda

Quando eu tinha uns 8 para 9 anos existia na casa da minha avó um pé de “espinho que anda”. Não sei explicar até hoje o que era aquilo. Acho que era um animal, mas muito esquisito e que se semelhava ao espinho de uma roseira e doía tão quão o mesmo.

Ele vivia perto do pé de condensa que era na subida do caminho da vovó – como era o nome que minha avó deu para a estradinha que levava aos pés de manga.

Certa vez, América, uma cachorra que tio Quinquim tinha, criou um monte de cachorrinhos. O mais bonitinho era um cinza com olhos azuis que eu dizia que era meu e vivia carregando, mas sua casinha era bem embaixo do pé de condensa.

E aí, toda vez que eu ia “lamber minha cria”, lá estava o tal “espinho que anda” bem embaixo do meu pé. E aí, toda brincadeira ia por água abaixo!

Não teve um neto de vó, que não tivesse sido fisgado pelo “espinho que anda”.
Cada dia era um e era a maior choradeira. Meu irmão coitado, nessa época com mais ou menos 3 anos, vivia pisando em um. Era só chegar à casa de vó que já ia logo se machucando. Como era azarado!

Não lembro como apareceu, nem lembro quando sumiu. Sei que até hoje pesquiso sobre esse tal “espinho que anda” e mesmo com todo conhecimento que tenho da Biologia, ainda desconheço essa espécie.